No Caminho de Santiago, superação não tem idade

Na cena que abre o documentário “Caminho da superação” (“Camino Skies”), uma idosa frágil e visivelmente esgotada entra num albergue. Os funcionários da recepção lhe dão água, a ajudam a tirar as botas de caminhada e lhe dizem que sua determinação é uma inspiração. Ela é Sue Morris, tem artrite e escoliose severas, e esta é sua terceira tentativa para completar o Caminho de Santiago de Compostela. O filme, cujo trailer pode ser visto aqui, acompanha seis peregrinos, com idades variando entre 50 e 80 anos, que percorrem o percurso de 800 quilômetros. Além de Sue, vamos conhecer Julie, Terry, Mark, Claude e Cheryl, cada qual em sua jornada particular, seja para lidar com o luto ou em busca de autoconhecimento.

O documentário, disponível nas plataformas de streaming, vem colecionando prêmios e é uma coprodução de Austrália e Nova Zelândia, com direção dos estreantes Fergus Grady e Noel Smyth. A equipe seguiu a pé com os peregrinos durante os 42 dias de filmagem. Na véspera, os diretores decidiam quem acompanhariam no dia seguinte, para observar mais de perto cada personagem. “Algo sobre andar permite que as pessoas se abram de maneiras que nunca fazem quando você está frente a frente com elas”, afirmou a dupla num comunicado.

Julie perdeu o marido dois meses antes de completarem 30 anos de casados. Logo em seguida, o filho Sam, de 27 anos, morreu num acidente de barco. “Eu caminho pelo luto, para conseguir me libertar e seguir em frente”, diz. Terry descreve a peregrinação como uma jornada física, mental e espiritual. Faz o trajeto pela segunda vez, agora com genro, inconsolável com a morte da filha adolescente vítima de fibrose cística. Claude tenta confortar os companheiros e filosofa: “se você acredita que, no fim do dia, vai conseguir, é porque acredita na vida”.

Anualmente, cerca de 25 mil pessoas abraçam a aventura que termina na Catedral de Santiago de Compostela. Tenho um amigo querido, Giovanni Faria, a quem pedi um depoimento sobre o que a experiência – no caso dele, várias – representou. “Mochila, botas e um stent no coração. Cheguei ao Caminho em 2015 com o desafio de provar que estava vivo fisicamente. E as pernas aguentaram bem. Mas a grande surpresa: o lado espiritual, que estava morto, renasceu em mim. A mente vislumbrou novos horizontes de vida. O Caminho me fez ressurgir, afastou a tristeza, isolou a depressão, me jogou para cima, me pôs no jogo da vida de novo. Em cinco anos, foram 11 caminhos e 5.450 quilômetros andados na França, na Espanha e em Portugal. Não quero nem vou parar. Respiro o Caminho 24 horas por dia e só falta um para eu me igualar a Hércules e seus 12 trabalhos”, escreveu.

Fonte: G1 – Bem Estar


Instituto Eluar

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