“Eu vou me cuidar porque eu te amo”

Essa é a frase que resume o momento que vivemos. É agora que a gente vai saber o que fala mais alto em uma comunidade. O meu problema ou a nossa proteção. Já ficou mais que provado que para cerca de 80% dos pacientes de coronavírus, a doença nada mais é que uma gripe que nós, ranhentos do sul, que passamos o inverno todo gripados, tiramos de letra.

Mas não é o momento de pensarmos nos 80%. É hora de pensarmos nos 20. Na sua avó que neste momento está com a saúde fragilizada. Na sua amiga que neste momento passa por uma quimioterapia. No seu pai que tem problemas respiratórios. Porque eu te amo, vou cuidar de nós.

Se hipoteticamente duas mil pessoas se contaminarem em minha cidade, e dessas duas mil, cem precisarem de atendimento hospitalar ao mesmo tempo, vai faltar leito. Vai atingir pessoas frágeis nas filas de atendimento médico. Vai virar um caos.

Pelos outros, eu vou me cuidar. Pelos outros eu vou procurar o sistema de saúde se apresentar sintomas e ter circulado por áreas de risco. Pelos outros eu vou ficar em casa, isolada se eu for um caso suspeito. Pelos outros eu vou me privar de viajar, se meu destino for de livre circulação do vírus. Vou evitar festas com grandes aglomerações. Vou lavar minhas mãos, vou evitar compartilhar o chimarrão, vou evitar abraços e até mesmo os apertos de mão.

Pelos outros eu vou fazer minha parte. E quando cada um faz sua parte, todos ganham.
O coronavírus é um exercício real de empatia.

E empatia é igual leito de UTI. Não é em todo o lugar que a gente encontra.”

Texto da escritora Michele Lunardi de Guaporé- RS


Instituto Eluar

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