E agora, doutor? 

Com o diagnóstico em mãos vem a pergunta: E agora? Quem poderá me defender? O maior aliado é o seu reumatologista, ele é a pessoa capacitada para analisar seu quadro clínico e decidir qual o melhor caminho a seguir. Assim como em qualquer aspecto da vida, é preciso uma relação de confiança para que tudo ocorra da melhor maneira possível. Vencer uma doença em crise já não é fácil, com um profissional que não está em sintonia com você é pior ainda. 

Por experiência pessoal posso dizer que a confiança e o diálogo é um dos fatores determinantes para atingir o sucesso no tratamento. Coincidência ou não, só alcancei a remissão após substituir um reumatologista negligente por um que confiou e acreditou no potencial da minha qualidade de vida. 

Mas como encontrar o médico ideal? Infelizmente não existe um mecanismo de busca perfeito para isso, o importante é você observar o comportamento do reumatologista no momento da consulta. É preciso enxergar o médico como um ser humano também, é compreensível que não é possível a todo momento o médico lhe conceder total atenção, pois em muitos casos a fila de pacientes aguardando é grande, porém, no mínimo, o ideal é o médico ouvir as suas principais queixas e tentar ajustar o tratamento da melhor maneira possível.

Mas nem só de medicamento deve viver o paciente, portanto é muito importante que o seu reumatologista saiba o momento certo de lhe encaminhar para tratamentos alternativos não medicamentosos, como musculação funcional, yoga, alongamento e manter uma alimentação saudável. A atividade física ajuda no fortalecimento muscular, e um músculo forte e saudável é um aliado, pois protege a articulação de lesões e deformidades. Existem alimentos anti-inflamatórios que, além de saudáveis, contribuem para a redução das dores articulares e alguns sintomas como fadiga.

Conheça algumas atividades alternativas que podem trazer qualidade de vida e bem estar: 

Acupuntura – é uma das mais importantes técnicas da Medicina Tradicional Chinesa, o método consiste na aplicação de agulhas em pontos definidos do corpo visando a diferentes efeitos terapêuticos. Na artrite reumatoide, pode ser usada para alívio dos sintomas de dores, com as agulhas sendo aplicadas diretamente nos pontos de dor, além de ser auxiliar no combate à ansiedade. Por experiência própria posso dizer que com 10 sessões eu senti uma diferença significativa no meu dia a dia, pois realizei este procedimento na fase mais aguda da doença e ele me trouxe grande alívio.

Reiki – é uma terapia que trabalha nos níveis emocional, mental e espiritual, reduzindo o estresse e provocando no organismo uma sensação de profundo relaxamento, conforto e paz. Age no alívio de dores e é seguro no tratamento de doenças crônicas e agudas ou relacionadas ao estresse, além de auxiliar em casos como sinusite, rinite, menopausa, cistite, asma, fadiga crônica, artrite, ciática, insônia e depressão. 

Tratamento osteopático – é um tratamento baseado em técnicas manuais. A osteopatia é um tratamento recente surgido nos Estados Unidos, cujo criador foi o Dr. Andrew Taylor-Still (1828-1917). É indicada para dores no sistema musculoesquelético, como é o caso das lombalgias, cervicalgias, hérnias de disco, dores de cabeça e nas articulações e para alterações de sensibilidade e limitações articulares. 

Hidroterapia – consiste na realização de exercícios de fisioterapia dentro da água, trazendo diversos benefícios como: fortalecimento dos músculos, alívio de dores musculares ou articulares, aumento da amplitude das articulações, melhora do sistema cardiorrespiratório, relaxamento muscular, redução do estresse e ansiedade e diminuição de distúrbios do sono.

Fisioterapia – é uma reabilitação que ajuda a fortalecer ossos e músculos. O maior benefício da fisioterapia é retardar a perda de movimentos e ajudar pessoas que os tenham perdido. No caso da artrite reumatoide, muitas vezes é indicada para o paciente recuperar o movimento de alguma articulação, pois geralmente acabamos ficando com a mobilidade reduzida devido as dores e inchaços constantes em momentos de crise.

Ballet – não existe exercício mais completo que o ballet, que há muito tempo deixou de ser apenas uma prática cultural. Hoje é utilizado por muitas pessoas como tratamento complementar de diversas patologias, isso porque trabalha os músculos do corpo todo, melhora a respiração e estimula o condicionamento cardiovascular. Na artrite, melhora a flexibilidade, equilíbrio, fortalecimento e amplitude articular e ainda promove o emagrecimento. 

Yoga – é uma filosofia de vida que tem por objetivo fortalecer o corpo físico, emocional e espiritual. Reduz o estresse e melhora a concentração e a memória. É um ótimo exercício para quem busca a autoaceitação. Após o diagnóstico buscamos nos aceitar e entender a nova condição de vida, aprendendo a lidar com ela. Além disso, o Yoga ajuda a emagrecer e a melhorar a qualidade do sono e o desempenho sexual. 

Todos os tratamentos citados possuem comprovação cientifica de eficácia em diversas áreas e para diversas patologias, porém você deve sempre conversar com o seu médico sobre a sua vontade e a possibilidade de optar por essas terapias complementares, lembrando que elas não substituem o tratamento convencional. Algumas terapias citadas, como acupuntura, Reiki, fisioterapia e tratamento osteopático já estão disponíveis no SUS.

Mas você deve estar perguntando: E os medicamentos? E os efeitos colaterais, como lidar? Hoje no Brasil existem 22 medicamentos para o tratamento da artrite reumatoide no Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Ministério da Saúde. São anti-inflamatórios, drogas modificadoras do curso da doença e medicamentos biológicos. Cada tratamento possui um mecanismo de ação diferente e não existe nenhum exame que possa indicar qual o melhor para você.

O seu médico prescreverá inicialmente o tratamento padrão dentro do protocolo e, à medida que o medicamento vai ou não demonstrando eficácia, ele vai ajustando ou alterando o tratamento. Há também um questionamento muito frequente sobre o porquê de um determinado tratamento ser eficaz para uma pessoa e ser um fracasso total para outras. Isso acontece porque cada organismo é único e reage de forma individual às substâncias. Por este motivo, encontramos pelo caminho pessoas com AR que estão em remissão e vivem com qualidade, utilizando um determinado medicamento, mas também encontramos pessoas com péssima qualidade de vida, mesmo utilizando o mesmo tratamento. 

Não se sinta culpado por não estar apresentando melhoras de forma mais rápida, cada organismo tem o seu tempo e a pressa é a maior inimiga, pois causa ansiedade, estresse e, por consequência, mais dores.

Referências

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Bálsamo, Sandor; Bottaro, M.. “Os benefícios dos exercícios com pesos no tratamento e prevenção da osteoporose: uma revisão.” Revista Euro-AM. Ano 2.2 (2000): 143-148.

Prazeres, Marcelo Viale. “A prática da musculação e seus benefícios para a qualidade de vida.” Florianópolis: Universidade do Estado de Santa Catarina (2007).


Dayane Ferreira

Catarinense, 32 anos. Social media manager, digital influencer e redatora, ativista em saúde motivada pelo diagnóstico de artrite reumatoide há 10 anos, patient advocacy, mobilizadora social em prol da qualidade de vida das pessoas com doenças crônicas no Brasil.

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