As consequências da falta de um medicamento de uso contínuo para o paciente de doença reumática

A falta da medicação Adalimumabe (Humira) atormentou, durante parte do segundo semestre de 2020, cerca de 58 mil pessoas que fazem tratamento para controle de doenças reumatológicas, dermatológicas e inflamatórias intestinais com o medicamento. Outros medicamentos também estiveram sob ameaça de desabastecimento, como o Tocilizumabe, que é igualmente utilizado para tratar doenças reumatológicas.

Os 57.957 pacientes que fazem uso de medicação imunossupressora biológica para que as doenças reumáticas saiam de atividade, proporcionando assim o retorno de grande parte dos pacientes à vida quase normal – quase, pois normal nunca é – estão empregados, estudam, são mães/pais e filhos e vivem o dia a dia com as suas demandas de tratamento, mas estão com as doenças controladas. Quando estas medicações faltam, significa que as doenças voltarão à atividade – fazendo com que as dores insuportáveis voltem –, os processos que deixam sequelas se instalem novamente, os efeitos colaterais de diversos remédios que terão de ser administrados para amenizar os impactos das doenças em atividade façam seus estragos, além de fazer com que a vida desses pacientes deixe de acontecer de forma razoável. O quadro torna-se ainda mais preocupante em meio à pandemia, pois obriga os pacientes a irem a hospitais que estão lotados e sem atendimento adequado, correndo o risco de contaminação pelo coronavírus. Em contrapartida, se não forem, perdem os movimentos pela rigidez e pela dor, além de serem afligidos pela evolução das doenças, que deixam sequelas para a vida toda.  Estes pacientes podem nunca mais andar, enxergar, pegar sequer um talher. Perder um movimento não tem volta.

Para suprir a demanda do primeiro trimestre seriam necessárias 173.871 caixas de medicamentos, mas apenas 87.795 foram enviadas pelo Ministério da Saúde (MS), ou seja, 50,5% do necessário. O MS alega que a falta do medicamento ocorre devido à troca do fabricante, porém a responsável até então pela fabricação e distribuição, a farmacêutica AbbVie, afirmou ter estoque para suprir as necessidades do medicamento, via Ministério da Saúde, para os pacientes que dele necessitam e têm prescrição para recebê-lo. O laboratório aguarda a publicação do edital para avaliar sua participação no processo.

O governo precisa saber que as doenças em atividade custam muito para o sistema de saúde. Não comprar não significa economia! A falta de administração das compras foi mais do que falta de competência, irresponsabilidade, falta de senso humano e de empatia. Foi uma atitude criminosa.


Luciana Ribeiro

Luciana Ribeiro, paulistana, apaixonada por Santos, 45 anos, casada, mãe da Nadja e da Mayra. Contadora, diretora da empresa Zloti Assessoria empresarial Ltda., diretora da empresa FAZ - Sistema de Gestão e Treinamentos Profissionalizantes Ltda. e Presidente do Instituto Eluar, com muito orgulho. Paciente de Espondilite Anquilosante e com ela adora fotografar.

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