A voz da sua cabeça, você a escuta?

Sabe aquela voz que fala com a gente o tempo todo? Aquela que todos ouvem, alguns escutam e respondem em voz alta e estes são chamados de “loucos” e outros somente não respondem em voz alta, e são chamados de “normais”, sabe qual é?

Então, você a escuta? Você a deixa falar livremente, não a cala, sem retrucar, como se fosse um bate papo com um velho amigo e que, como aquele amigo tão educado que não interrompe, não critica e não condena?

Esta voz nem sempre é coerente, é abstrata, fala de coisas diversas, comenta, julga, compara, acusa, perdoa… e assim vai. A voz revive situações, imagina coisas indo mal e com péssimos resultados, estas são as nossas preocupações. Quando julgamos e condenamos a voz, usamos valores culturais que herdamos, vivemos o presente com as sensações do passado e construímos percepções distorcidas, mas a voz não, ela é mais realista do que nós mesmos. E mesmo assim, brigamos com ela.

Você pode ter uma boa relação com a voz, não a abafar, não a calar. Não brigar com ela, mas sim bater papo, concluir juntos, dialogar… entende? Vai lhe fazer muito bem, você ficará leve. Pare um tempo e realmente a escute, não a deixe falando sozinha lá dentro, em vão. A voz ficará trazendo incansavelmente os pontos não resolvidos, vai te sugar, vai te pesar, vai te adoecer.Ouvir um pensamento é consciência, é estar dentro dos pensamentos mais profundos, aqueles que se mascaram no seu subconsciente, mas que mesmo mascarados o atormentar muito.

A partir do momento que você deixar o pensamento fluir e estiver com ele, este seguirá adiante, será o fim do processo involuntário. Conforme esta vazão de pensamentos repetitivos for descarregada e a mente puder respirar breves períodos sem pensamentos (e depois mais tempo), a sensação será de plenitude.

A mente possessiva e apegada, com medos ou outras coisas que você veio construindo durante o período em que saúde lhe faltou agora precisa desapegar dessas sensações causadas pela doença. A doença não adoeceu somente o seu corpo, ela machucou a sua mente e o seu coração. Estes precisam ser restaurados, o medo, a repetição, a memória do sofrimento precisa fluir e irem pouco a pouco embora, assim a sua vida seguirá cada vez mais em paz.

O seu corpo, mente e alma já conhecem o caminho da dor e do sofrimento, vivem o medo de os sintomas voltarem. Para aqueles que, graças a Deus, estão controlados, a memória corporal e emocional estão feitas, então deixa a mente falar, deixa que ela desabafe para que uma nova estrutura nasça, mais forte, mais segura e mais decidida.

Seja qual for a doença, viver bem será uma decisão, porque diz respeito não à doença, mas a como você lida com ela, diz respeito a qual tipo de parceria de vida você e a doença traçaram. Uma pessoa bem resolvida, com a mente leve, sem pensamentos negativos, vingativos ou possessivos certamente será mais feliz (mesmo que doente) do que uma pessoa “saudável de corpo” e infeliz de mente.

Recentemente conheci uma moça linda e alegre, recém-diagnosticada com ELA. Essa moça não passou desde então um só dia sem me enviar um BOM DIA, SEJA FELIZ, ACREDITE EM DEUS. Obrigada MORENA, você é uma linda, maravilhosa! A Morena talvez neste momento não tenha nem para ela, mas não deixou de dar, e ela sabe que dar significa receber. Não que ela faça isso pela troca, mas o receber é consequência, alivia, massageia… e a Morena sorri de verdade. Nada cura mais que o ato de ajudar e de servir!


Luciana Ribeiro

Luciana Ribeiro, paulistana, apaixonada por Santos, 45 anos, casada, mãe da Nadja e da Mayra. Contadora, diretora da empresa Zloti Assessoria empresarial Ltda., diretora da empresa FAZ - Sistema de Gestão e Treinamentos Profissionalizantes Ltda. e Presidente do Instituto Eluar, com muito orgulho. Paciente de Espondilite Anquilosante e com ela adora fotografar.

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